As muitas facetas da inovação

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As muitas facetas da inovação
Por Carlos Goulart 

Carlos-Goulart-3_2995x4275-210x300Muito tem se falado e escrito sobre a importância da inovação e da tecnologia no desenvolvimento e melhoria da condição socioeconômica do País. Sem dúvida, estes são fatores essenciais para o aumento da produtividade e competitividade, para a garantia de um crescimento sustentável, que reverberará também na redução do déficit da balança comercial e na própria sobrevivência das empresas.

O segmento da Saúde, com potencial de se tornar o maior PIB dos países, deve ser particularmente focado. Ciente desta importância, o Governo conta com um grupo exclusivo, voltado ao Complexo Industrial da área da Saúde, no Plano Brasil Maior.

Quando se trata de inovação, Governo, empresários e academia devem envidar todos os esforços nesta busca, de preferência com interação entre as partes. No Brasil, percebe-se que há ainda um grande vácuo entre as universidades inovadoras e as indústrias, que são, em última instância, as que transformam ideias e conhecimento em negócios e produtos viáveis para o mercado. Empresas que inovam faturam mais, crescem de maneira sustentável, exportam mais e pagam melhores salários.

No caso do Brasil, há ainda que ressaltar as tradicionais amarras que dificultam a inovação, como a falta de qualificação de pessoal, o tão cantado e decantado custo Brasil (alta carga tributária, burocracia, deficiência de infraestrutura) e a falta de instrumentos adequados de financiamento, embora haja recursos públicos disponíveis.  Acresça-se a estes fatores a baixa tradição do empresariado brasileiro de investir em P&D e a cultura de pouco apetite a risco.

A Ásia é o exemplo recente mais bem acabado de continente que soube vencer estas amarras triplicando sua produtividade nas últimas três décadas. Importante citar que, assim como aqueles países, o Brasil tem modelos exemplares de inovação, caso da Embrapa, Embraer, Petrobrás e outras empresas privadas.

Este ano, o Governo Federal lançou o Plano Inova Empresa aumentando substancialmente o patamar da disponibilidade de recursos públicos para investimento em inovação, no qual o setor Saúde também está contemplado.

O Brasil tem pressa e deve colocar na ordem do dia debates sobre como aumentar sua produtividade por meio da inovação para recuperar o tempo perdido. A inovação deve, entretanto, ser vista e compreendida no seu sentido mais amplo e se inserir na cadeia global de tecnologia e processos.  Entre outros, devem ser explorados novos modelos de negócios, revisão das cadeias produtivas, reavaliação das formas de educar e gerir pessoas, questionamento das estruturas de ganhos e custos e novos modelos financeiros.

Toda e qualquer ideia que possa ser implantada com sucesso e que gere valor para a sociedade deve ser encarada como inovação.  Neste contexto, vale também salientar que reinventar a roda não é o caminho a ser seguido. Ao invés de priorizar o desenvolvimento local do que já está pronto no mundo, deve-se investir em políticas claras e atrativas para estimular a criação de centros de pesquisa e desenvolvimento integrados com outros países. Assim, se provocará a chamada inovação reversa, como algumas multinacionais têm feito no Brasil, que consiste em inverter o fluxo de inovação dos países em desenvolvimento para os desenvolvidos.

Por último, deve-se lembrar que a nova ordem da economia passa pela revisão de modelos de desenvolvimento que considerem a finitude dos recursos naturais, onde é imperativa a sustentabilidade para que consolide tanto o consumo responsável como a oferta responsável no crescimento do País.

 Carlos Goulart é Presidente Executivo da ABIMED – Associação Brasileira da Indústria de Alta Tecnologia de Equipamentos, Produtos e Suprimentos Médico-Hospitalares.

 

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