Células-tronco conseguem reproduzir fígado humano

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Foto: Divulgação

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Pela primeira vez, um pedaço de fígado humano foi reproduzido em laboratório. Cientistas conseguiram, por meio de células-tronco, retiradas da pele e do sangue. A façanha, divulgada por cientistas da Escola de Medicina da Universidade de Yokohama, no Japão, é novo combustível para a corrida científica de se criar órgãos para transplante sem o obstáculo de necessidade de um doador.

As células-tronco são divididas em dois tipos, as embrionárias, cujo estudo tem várias limitações éticas e religiosas, e as “células-tronco de pluripotência induzida” (IPS, na sigla em inglês), muitas vezes retiradas de pele ou sangue e reprogramadas geneticamente para crescerem como outro tipo de tecido. A equipe japonesa, de acordo com o trabalho publicado na “Nature”, usou as IPS para cultivar três tipos células que formam o fígado. Para o espanto dos pesquisadores, as células conseguiram se organizar sozinhas a ponto de formar o que especialistas chamam de broto hepático, uma forma rudimentar na escala de desenvolvimento do fígado.

Depois de cultivarem vários brotos de fígado, os pesquisadores transplantaram os aglomerados em ratos, ligando vasos sanguíneos do órgão humano em ratos. Como resultado, o fígado humano foi capaz de executar funções de células humanas hepáticas adultas.

O cientista Takanori Takebe foi quem liderou o estudo, e declarou em uma teleconferência que ele ficou tão encorajado pelo sucesso da pesquisa que planeja aplicar o método de forma semelhante em outros órgãos, como o pâncreas e os pulmões. Mas antes de virar órgãos de laboratório prontos para transplante, a técnica em desenvolvimento pelos pesquisadores japoneses pode ser aplicada para testar efeitos de medicamentos. Em vez de anotar possíveis efeitos colaterais de drogas experimentais em gente de verdade, os brotos hepáticos podem cumprir esse papel.

Outro exemplo dos avanços da medicina regenerativa ocorreu em abril, quando uma equipe de pesquisadores americanos disseram que haviam criado um rim de ratos em um laboratório que foi capaz de funcionar como um órgão natural, mas o método foi um pouco diferente, pois usaram uma espécie de carcaça para produzir o rim.

Já em maio do ano passado, pesquisadores britânicos disseram que transformaram células-tronco da pele em músculo para tratar insuficiência cardíaca em ratos.

Na escala de complexidade da medicina regenerativa, órgãos com formatos em três dimensões, como o fígado, são mais difíceis de serem criados, o que deu destaque ao trabalho dos japoneses. Pele ou estruturas tubulares, como vasos sanguíneos, estão um patamar abaixo no nível de dificuldade.

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