Estudo analisa a eficácia do “tratamento como prevenção” para o HIV nas relações entre gays sorodiscordantes masculinos

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Quando um parceiro sexual está vivendo com HIV e o outro não (ou seja, uma relação sorodiscordante), até que ponto a terapia anti-retroviral (ART, na sigla em inglês) tomada pelo parceiro infectado reduz o risco de transmissão do vírus para um não infectado? Isso é o que os cientistas do Instituto de Pesquisa Clínica Evandro Chagas, no Rio de Janeiro, Brasil, têm como o objetivo de descobrir como parte dos estudos “Os Opostos se Atraem”, um estudo internacional que explora a eficácia do “tratamento como prevenção” nas relações gays entre sorodiscordantes masculinos.

O Instituto de Pesquisa Clinica Evandro Chagas (IPEC) é um dos 16 centros clínicos que participam do estudo “Os Opostos se Atraem”, que começou em 2012 e está sendo conduzido pelo Dr. Andrew Grulich, professor e líder do Programa de Epidemiologia e Prevenção do HIV no Instituto Kirby de Infecção e Imunidade na Sociedade da Universidade de New South Wales. O estudo acontece em 14 locais na Austrália, e recentemente expandiu para casais do sexo masculino sorodiscordantes em países com a Tailândia e o Brasil.

A amfAR, Fundação para Pesquisa da AIDS, está pela primeira vez financiando um estudo no Brasil, maior lugar de estudo do programa. Liderado pela Dra. Beatriz Grinsztejn, diretora do Laboratório de Pesquisa Clínica DST / AIDS do IPEC, o estudo irá monitorar até 70 casais gays masculinos sorodiscordantes no Brasil e analisar o tratamento do HIV, as cargas virais, e a transmissão do HIV para descobrir se a incidência do vírus está associada ao fato do parceiro soropositivo estar em terapia anti-retroviral ou não.

“A epidemia de AIDS no Brasil está desproporcionalmente concentrada entre homens gays e outros homens que fazem sexo com homens, e a redução da propagação e do impacto do HIV nessa população chave, exigirá que programemos intervenções que são verdadeiramente eficazes”, explica o presidente-executivo e diretor da amfAR,  Kevin Robert Frost.

Existem fortes evidências científicas sobre os benefícios do “tratamento como prevenção” para casais heterossexuais sorodiscordantes. Um teste clínico de referência conhecido como HPTN 052 mostrou que as pessoas relativamente saudáveis que vivem com HIV e receberam o tratamento precoce com ART diminuíram 96% a probabilidade de transmitir o vírus aos seus parceiros não infectados.

“Enquanto os estudos já existem em casais sorodiscordantes heterossexuais, a importância da pesquisa para casais sorodiscordantes gays está apenas emergindo agora”, disse a Dra. Beatriz Grinsztejn, coordenadora do estudo. “Com o apoio da amfAR, os estudos dos “Os Opostos se Atraem” ajudarão a medir o impacto do tratamento do HIV, e responder a perguntas críticas sobre prevenção da transmissão do HIV entre essa população em situação de risco.”

Enquanto as taxas de infecção por HIV começaram a diminuir em muitos países, os casos foram subindo lentamente no Brasil, com um salto mais acentuado entre GMT (homens, homens que fazem sexo com homens e pessoas transexuais, traduzido livremente para o português) e jovens com idades entre 15 e 24 anos. De acordo com a UNAIDS, existem cerca de 730 mil pessoas que vivem com HIV / AIDS no Brasil, incluindo 44.000 que foram infectadas no ano passado.

A amfAR tem apoiado várias organizações comunitárias no Brasil dedicadas ao combate e epidemia do HIV entre as populações de risco, inclusive com base no Rio de Janeiro, como as ONGs Pela Vidda, Sociedade Viva Cazuza, Grupo de Trabalho em Prevenção Posithivo (GTP +) e em Recife a Articulação e Movimento para Travestis e transexuais de Pernambuco (AMOTRANS). Estas organizações têm usado o financiamento da amfAR para uma ampla gama de projetos, como a promoção de testes e intervenções que maximizam os benefícios de medicamentos, bem como o fornecimento de tratamento, habitação e outras formas de assistência às pessoas com HIV / AIDS.