Estudo da FenaSaúde mostra que variação da despesa por beneficiário no Brasil é uma das mais elevadas do mundo

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Em seus 10 anos de fundação, a Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde) cumpre sua missão de contribuir para a consolidação do mercado privado de assistência à saúde. Para celebrar a data, a entidade lançou a primeira edição da série  “Por Dentro da Saúde Suplementar”, com o tema ‘Variação da Despesa Assistencial Per Capita’, durante almoço comemorativo que reuniu os ex-presidentes da FenaSaúde: Luiz Carlos Trabuco, Geraldo Rocha Mello, Heráclito Brito e Marcio Coriolano.

De acordo com a publicação, gastos com saúde crescem em ritmo mais acelerado que o da inflação geral de preços ao consumidor no Brasil e em outros países. Na série histórica entre 2008 e 2016, a série assinala um acúmulo de 179,3% nas despesas assistenciais per capita na Saúde Suplementar, enquanto a variação do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) foi de 72,5%, no mesmo período. O levantamento realizado por especialistas da FenaSaúde compara também os gastos com saúde em  outras nações e aponta que no Brasil, o gasto per capita em saúde cresce de forma mais acentuada do que em muitos países desenvolvidos. Entre 2004 e 2014, a variação acumulada no Brasil foi de 80,2%, maior do que no Japão, 57,9%; Estados Unidos, 47,6%; Canadá, 43,6%; França, 38,0% e Reino Unido, 31,9%.

O aumento progressivo dos custos médico-hospitalares por beneficiários, sempre superior à inflação dos preços ao consumidor, é um dos maiores desafios para a sustentabilidade do mercado de Saúde Suplementar, segundo Solange Beatriz Palheiro Mendes, presidente da FenaSaúde. “Em 2015 e 2016, a variação da despesa assistencial per capita foi de 19,2%, ou seja, 2,8 vezes superior ao IPCA. Essa espiral inflacionária foi alimentada pelo crescimento dos preços de produtos médicos e, entre outros fatores, pelo aumento na frequência de utilização dos serviços de assistência médica. Trata-se do maior percentual já registrado. Essa escalada onera, em última instância, os contratantes individuais, as empresas e dificulta o equilíbrio econômico-financeiro das operadoras de planos e seguros de saúde”, explica a executiva.

Uma década – A publicação ‘Por Dentro da Saúde Suplementar – Variação da Despesa Assistencial Per Capita’, foi apresentado, em primeiro-mão, aos ex-presidentes da FenaSaúde, Luiz Carlos Trabuco, Geraldo Rocha Mello – ambos idealizadores que lideraram a criação da Federação – além de Heráclito Brito e Marcio Coriolano, durante confraternização pelos 10 anos da FenaSaúde, completados em fevereiro de 2017.

Para a atual presidente, Solange Beatriz Palheiro Mendes, que fez parte da constituição da Federação, em 2007, e, há um ano retornou à frente da instituição, é uma oportunidade de ressaltar a contribuição dessas lideranças para tornar FenaSaúde, uma entidade reconhecida pela sociedade e órgãos públicos. “A criação da FenaSaúde foi um ato inovador e audacioso. Esses líderes acreditaram na força da união e na unidade de bons propósitos como meio de se alcançar os melhores resultados. Nada parecia mais natural que associar seguradoras de saúde, medicina de grupo e odontologias numa única entidade. Até porque, estão sob o poder

regulador de uma única autoridade, a ANS. E o negócio está baseado nas mesmas premissas: Risco e Mutualidade”, afirmou.

Há dez anos, operavam no setor de saúde suplementar 1.600 operadoras.   Atualmente, são 1.100. A FenaSaúde iniciou com 16 grupos econômicos e respondia por 44% do faturamento e das despesas assistenciais. A Federação atendia a 29% dos 44,5 milhões de beneficiários. “Hoje, são 70 milhões e alcançamos 41% dessa população. Mais do que nunca, a saúde privada continua sendo elemento de desejo do brasileiro, atualmente é o terceiro item mais procurado pelo consumidor, de acordo com pesquisa do Ibope”, esclareceu.

Solange Beatriz sucedeu a Marcio Coriolano, que comandou a FenaSaúde de 2010 a 2016. Para Coriolano a Federação tem como marca a legitimidade e representatividade como interlocutora com a sociedade, com o órgão regulador e com os Poderes constituídos. “A Federação tem representatividade transversal dos segmentos de planos privados – seguradoras, medicinas de grupo e odontologias de grupo – ampliando o espectro de troca de experiências, debates setoriais e proposições de interesse do progresso da cadeia de valor da saúde. A governança é o pilar principal de sua missão representativa, uma vez que é ancorada em comissões temáticas com a ativa colaboração de especialistas das associadas. Enfim, a FenaSaúde já se consolidou como entidade de alto nível de representação, e assim é considerada pelo Governo e pelos demais atores do sistema de saúde privada”, afirmou Coriolano.

Já Luiz Carlos Trabuco foi o primeiro presidente da FenaSaúde e esteve à frente da Federação entre 2007 e 2008. De acordo com o executivo, numa época de grandes transformações, a criação da FenaSaúde foi uma decisão correta e oportuna. “Foram dez anos de grandes mudanças na economia e na sociedade brasileira. Não ficamos à margem desse processo de mudanças. Isso implicou no crescimento da FenaSaúde. O consumidor fez prevalecer seus direitos, os órgãos reguladores ampliaram o volume de observações e inserções sobre a atividade e os ciclos econômicos se mostraram bastante voláteis. Foi uma década de desafios. Surgiram as redes sociais e a judicialização se tornou frequente na regulação de vários aspectos do relacionamento comercial da sociedade. Sem a FenaSaúde, não haveria como organizar as demandas e negociações com os entes com os quais nos relacionamos: órgãos de defesa do consumidor, órgãos reguladores, entidades médicas e hospitalares, e representantes do Judiciário”, ponderou Trabuco.

Em 2009, Geraldo Rocha Mello assumiu a presidência da FenaSaúde. Na sua avaliação, em uma década, a Federação se tornou reconhecida como importante fonte para o aprimoramento do setor pelos estudos e trabalhos produzidos por sua equipe de especialistas. “A FenaSaúde, nestes 10 anos, cresceu, estruturou-se e é hoje reconhecida pelas operadoras, pelos órgãos regulatórios e pela sociedade como fundamental para o setor de Saúde Suplementar, no sentido de interagir com a sociedade, contribuindo para o aperfeiçoamento constante do marco regulatório e implementação das melhores práticas”.

Heráclito de Brito Gomes foi presidente da FenaSaúde de 2009 a 2010. Um período que ele avalia como de intensos debates pelo aprimoramento da saúde suplementar. “Hoje, percebo que não poderá haver sustentabilidade para o setor se não nos fortalecermos com o que nos une. Juntos, vamos chegar aos nossos pontos em comum e encontrar soluções para os nossos problemas estruturais.”,

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