Hospital Moinhos de Vento realiza procedimento pioneiro no Brasil

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Foi lendo uma notícia há três anos num Jornal de Buenos Aires, que o filho do empresário do ramo imobiliário, Julio Cesar Nadel Fernandez, 78 anos, ficou sabendo que existia no Brasil um procedimento minimamente invasivo, que consiste no implante de válvulas endobrônquicas no pulmão para tratar pacientes com enfisema pulmonar em estágio avançado.

Convivendo com a doença há 30 anos, Fernandez, morador da Ciudad Del Este, no Paraguai, tem um histórico de problemas causados pelo fumo. Com o tempo foi perdendo a capacidade de respirar normalmente e nos últimos anos tinha que parar de caminhar após poucos metros.

Fernandez foi submetido, no mês de maio, ao tratamento no Hospital Moinhos de Vento após ser submetido à minuciosa avaliação no Núcleo de Tratamento do Enfisema. Como sentia falta de ar e teve o diagnóstico de pequenos granulomas (nódulos) junto às válvulas, retornou, no mês de junho, à Instituição, sendo submetido a procedimento endoscópico para remoção dos nódulos.

A técnica realizada pelo coordenador do Núcleo de Tratamento do Enfisema, Hugo Goulart de Oliveira, durou 30 minutos e foi um sucesso. O paciente pode voltar a ter fala continua e sem as repetidas pausas para tomar ar, que sempre lhe acompanhavam em situações rotineiras, como subir escadas ou fazer pequenas caminhadas perto de casa. De acordo com o especialista, o tratamento permite pelo menos 15% de recuperação da capacidade respiratória dos pacientes, que são adequadamente selecionados.

Resgate da capacidade pulmonar

O médico explica que o enfisema é uma doença progressiva das vias respiratórias, caracterizada pela dilatação excessiva dos alvéolos. Com o tempo, o paciente perde a capacidade de respirar normalmente, pois o ar se acumula nos pulmões, que aumentam de volume. O tabagismo é o principal fator desencadeante da doença.

No Hospital Moinhos de Vento, mais de 100 pacientes de várias partes do Brasil e exterior já passaram pelo procedimento. O grande benefício da técnica é oportunizar o tratamento para pacientes até então sem opções. Antes do procedimento, o paciente é sedado e recebe uma anestesia tópica. Com o auxílio de um broncoscópio, o médico coloca as válvulas – três em média, com cerca de 7mm cada uma – no pulmão afetado. O procedimento dura em média 30 minutos e o paciente pode ter alta em dois dias. “A válvula permite isolar uma área do pulmão para evitar que ela aprisione ar e comprima áreas menos afetadas”, explica o médico. As válvulas são levadas aos brônquios segmentares ou subsegmentares do pulmão, onde se abrem. A partir disso, o paciente inspira, a válvula se fecha, redirecionando o ar para outras áreas do pulmão. Ao expirar, o dispositivo se abre, permitindo que o ar saia da parte doente e reduzindo o volume pulmonar.

Embora não seja capaz de reverter a doença, o procedimento melhora a qualidade de vida dos pacientes com enfisema em grau avançado ao permitir que eles voltem a fazer atividades que tinham sido obrigados a abandonar -coisas simples, como tomar banho ou andar na rua. O procedimento não é indicado para todos os pacientes, mas direcionado para aqueles que sofrem de enfisema heterogêneo (que não acomete todo o pulmão igualmente).

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