Incidências de câncer de próstata e de mama tiveram aumento dramático no Brasil

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Segunda causa de morte no mundo em 2013, atrás apenas de problemas cardiovasculares, o câncer atinge uma proporção cada vez maior de pessoas em todo planeta, inclusive no Brasil, aponta o relatório “O fardo global do câncer 2013”, que pela primeira vez usou uma nova metodologia para calcular a incidência, morbidade e custo social dos 28 principais tipos da doença em 188 países. Aqui, o câncer de pulmão é o que mais mata na soma de homens e mulheres, com 29 mil vítimas para um total de 213 mil estimadas naquele ano, mas entre eles os maiores aumentos, tanto de casos quanto de fatalidades, estão sendo registrados na próstata, enquanto nelas as mamas ainda são o maior motivo de preocupação.

De acordo com o levantamento, publicado nesta quinta-feira no periódico “JAMA Oncology”, o número de novos casos de câncer de próstata no Brasil disparou 414% entre 1990 e 2013, passando de 18,7 mil para 96,3 mil. E mesmo levando em conta apenas a incidência da doença, isto é, a quantidade de diagnósticos a cada 100 mil habitantes, o que permite descontar fatores como crescimento populacional, o aumento ainda é grande, de 127,9%, tendo ido de 26,52 para 60,44 no mesmo período. Já entre as brasileiras, os diagnósticos de novos casos de câncer de mama quase triplicaram entre 1990 e 2013, de 24,9 mil para 74,6 mil, enquanto a incidência total, somados homens e mulheres, foi de 27,54 por 100 mil habitantes para 40,69, numa alta de 47,7%.

Segundo os especialistas, por trás deste fenômeno, tanto no Brasil quanto no resto do mundo, estariam principalmente dois fatores: o envelhecimento da população e os avanços nos métodos de diagnóstico, o que permite detectar a doença cada vez mais cedo.

“As pessoas estão vivendo mais, a média de idade da população aumenta, e a maior parte dos principais tumores ocorre com mais frequência nos indivíduos idosos”, destaca Itamar de Souza Santos, professor da Escola de Medicina da USP e um dos mais de mil pesquisadores que participaram da elaboração do relatório. — É esperado, nesse cenário, que o número de casos e mortes por câncer aumente, como já foi observado em vários países desenvolvidos. Mas outro fator muito importante e frequentemente esquecido é que nos últimos 25 anos a tecnologia para detecção de tumores evoluiu bastante. Algumas pessoas que não seriam diagnosticadas décadas atrás têm seu tumor detectado pelas técnicas hoje empregadas, e isso também aumenta o número de novos casos.

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