Instituto do Coração de Montreal é o primeiro do mundo a descobrir tratamento personalizado para doença cardiovascular

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Pesquisadores do Instituto do Coração de Montreal anunciaram resultados que mostram que pacientes com doenças cardiovasculares e com os perfis genéticos apropriados se beneficiam bastante do novo medicamento dalcetrapib, apresentando uma redução de 39% nos desfechos clínicos combinados, inclusive ataques cardíacos, derrames, angina instável, revascularizações coronárias e mortes cardiovasculares. Esses pacientes também se beneficiam de uma redução na quantidade de arteriosclerose (paredes engrossadas) nos seus vasos sanguíneos. Os resultados detalhados foram publicados no prestigiado Journal Circulation Cardiovascular Genetics. Esta descoberta poderá também abrir o caminho para uma nova era da medicina cardiovascu lar, com medicamentos personalizados ou mais precisos.

A equipe liderada pelos médicos Jean-Claude Tardif e Marie-Pierre Dube analisou 5749 pacientes que receberam o dalcetrapib ou placebo e forneceram DNA em um estudo clínico. Descobriu-se uma forte relação entre os efeitos do dalcetrapib e um gene específico chamado ADCY9 (adenilato ciclase 9) no cromossomo 16, especialmente para uma variante genética específica (rs1967309). Em pacientes com perfil genético AA em rs1967309, observou-se uma redução de 39% no endpoint cardiovascular composto com o dalcetrapib em comparação com o placebo. Outras evidências também foram obtidas com um segundo estudo, que mostrou que os pacientes com o perfil genético favorável também se beneficiavam de uma redução na espessura das paredes da sua art&eacu te;ria carótida com o dalcetrapib.   

“Esses resultados conduzirão a um estudo clínico orientado a genética nos pacientes com os perfis genéticos apropriados para permitir a revisão de órgãos reguladores do setor de saúde e fornecer tratamento personalizado com o dalcetrapib. Ele oferece também muita esperança para tratamentos mais precisos para pacientes com doenças cardiovasculares e para reduzir a arteriosclerose, principal causa de morte no mundo”, disse o dr. Jean-Claude Tardif, investigador principal e diretor do Centro de Pesquisas do Instituto do Coração de Montreal e professor de medicina da Universidade de Montreal. 

Os investigadores testaram vários marcadores genéticos em todo o genoma em um procedimento chamado estudo de associação de genomas. “Usamos técnicas estatísticas e genéticas avançadas para demonstrar que o efeito do perfil genético do paciente só foi observado nas pessoas tratadas com dalcetrapib e não placebo. Queremos fornecer aos pacientes tratamentos adicionais personalizados nos próximos anos, para obter medicamentos mais eficazes e mais seguros”, comentou a dra. Marie-Pierre Dube, diretora do Centro de Farmacogênicos de Beaulieu-Saucier do Instituto do Coração de Montreal e professora de medicina na Universidade de Montreal.