O líder Aladim – por Márcia Mariane

Márcia Mariani

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Márcia Mariane

Márcia Mariane

 

Mais uma vez, recorro ao recurso lúdico da analogia com as belas histórias que encantaram e continuam nos encantando: falo da famosa lenda da lâmpada mágica de Aladim, com gênio pronto para realizar todos seus desejos.

O gênio aparece e pergunta: “qual é o seu desejo?”. Atônito, por um momento, o jovem não sabe o que pedir. O gênio, sem entender o que acontece com o rapaz, comenta com a voz embargada: “Se você não sabe o que quer, então eu nada não posso realizar’’.

A princípio, parece pouco provável esta cena, mas ela acontece com frequência em nossa trajetória profissional. Ao trazer a fábula para o cenário corporativo, podemos dizer que o líder é Aladim e o corpo tático são os ‘gênios’.  Se o líder não sabe o que deseja de sua equipe tática, estes não podem realizar nada.

Quais as metas a serem alcançadas? Quais os objetivos? Quais as conquistas?

Por vezes, o corpo tático tem uma excelente compreensão de cenário futuro, do que seria possível realizar e até como realizar. Ocorre que se o líder não estiver em sintonia com o seu liderado, talvez este não entenda o potencial que existe nas sugestões apresentadas e pode perder grandes oportunidades mercadológicas e financeiras.

Outra consequência, infelizmente até comum, é o liderado tornar-se extremamente desmotivado e, por vezes, confuso por não conseguir se comunicar de fato com seu líder corporativo.

O líder precisa, em primeiro lugar, refletir profundamente quando não domina o assunto.

O mundo contemporâneo ensina a comandar compartilhando. Não existe mais a situação na qual o líder tem o domínio absoluto do conhecimento e o liderado apenas executa as ações sem contribuir com o projeto.

Muito leitores podem achar desnecessário abordar este tema, porém ele ainda é muito recorrente em nossos dias. Alguns gestores, ainda hoje, limitam a atuação de seu subordinado ao cumprimento fiel da tarefa solicitada.

Claro que nem todos os subordinados querem assumir sua função com maior comprometimento, mas neste caso precisamos avaliar se esse profissional está na posição adequada dentro da organização.

Esta distorção certamente provoca estresse e desgaste emocional, culminando em perdas de inovação, aperfeiçoamento, ambientais e, claro, financeiras.

É necessário revisar os estilos de liderança hoje praticados.

Precisamos aceitar que, por vezes, encontramos líderes perfeitos para o cenário do século passado e totalmente defasados para os desafios e as oportunidades existentes no presente e no futuro próximo.

Temos, portanto, que ser líderes como Aladim. Quando o gênio aparecer, há de se ter certeza do que de fato desejamos.

 

* artigo publicado na 35ª edição da revista Healthcare Management.